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O que é fluxo de competência?

Por Henrique Netzka

Quem estuda gestão ou contabilidade já ouviu a palavra “competência” em algum momento da vida. Afinal, a análise por competência difere bastante da análise por caixa. E se essa informação não diz nada para você, continue lendo para tentarmos esclarecer isso!

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Quem estuda gestão ou contabilidade já ouviu a palavra “competência” em algum momento da vida. Afinal, a análise por competência difere bastante da análise por caixa. E se essa informação não diz nada para você, continue lendo para tentarmos esclarecer isso! 🙂

“Competência” não é habilidade!

A primeira confusão que precisamos desfazer é sobre a própria palavra. A competência, nos assuntos contábeis e gerenciais, não diz respeito aos “skills”, habilidades de uma empresa. A interpretação aqui diz, sim, respeito ao “mês ao qual aquela conta compete”. Competência, portanto, terá um sentido de “pertencimento”.

Analogamente, este é o sentido que usamos quando queremos dizer “a quem compete esta função dentro da empresa?”.

A competência das contas, portanto, é o mês ao qual ela compete – para fins de análise. Simples, não?! Agora você não precisa mais avaliar as habilidades da conta pra tentar fazer a análise! 😛

E de onde eu tiro isso?

Bem, agora que você já sabe que competência é a data à qual a conta pertence, como encontrar isso? A resposta aqui também é bem simples: é preciso focar no “fato gerador”!

Fato gerador é, também, um termo bastante contábil, mas este significa exatamente o que ele é (aproveite, na contabilidade isso é bem raro!). O fato gerador é o “acontecimento” que gerou aquela despesa ou receita. Vamos a alguns exemplos práticos:

  • Se você tem um boleto em mãos, este boleto representa uma conta a ser paga. Esta conta se refere a um serviço prestado, ou uma compra. A data da compra, ou a data do serviço, é o fato gerador. Ou seja: a data da nota fiscal representa a competência.
  • Os seus colaboradores trabalham durante um mês e, por este mês trabalhado, recebem o salário no próximo mês. Portanto, o salário pago em abril tem a competência de março, que foi o mes trabalhado.
  • O aluguel pode ser pré-pago. Neste caso, a competência coincide com a data de pagamento, pois você está pagando dentro do próprio mês aquela dívida.

Viu como é simples?! Basta, portanto, olhar o fato que gerou aquela movimentação financeira, e é ela a data de competência!

Compras parceladas

Tudo era mais simples antes das Casas Bahia, certo?! Hoje em dia, parcelamos praticamente todas as compras – afinal, pagar sem juros é mais vantagem do que pagar à vista sem desconto. E qual é a competência neste caso?

Uma compra parcelada em 12x, por exemplo, tem uma única data de competência: a data da compra. Por isso, todas as parcelas possuem a competência fixa no mês da compra!

Contas recorrentes

Imagine que você negocia um contrato de prestação de serviços por um ano, pagos mensalmente (em 12 parcelas). Este contrato pode ser aluguel, luz, ou mesmo um serviço de agência digital, por exemplo.

Neste caso, a competência é variável, mês a mês. Isso porque o serviço está sendo prestado ao longo dos meses, mesmo que o contrato seja anual. É diferente de uma aquisição parcelada pela questão do uso do serviço mesmo. Apesar de já estar pré-acordado através de um contrato, o fato gerador real desta despesa é o mês do serviço prestado, não comprado.

Fluxo de competência? WTF?

Analogamente ao fluxo de caixa, existe um fluxo de competência. Este fluxo, na verdade, é pouco utilizado, sendo mais coerente analisar o DRE – que é sempre por competência. Isso porque o DRE compila as informações em uma forma melhor estruturada. Veja, depois, nossos artigos falando sobre fluxo de caixa e DRE para entender melhor.

E por que seria interessante pra empresa ter as informações por competência?

A análise do fluxo de caixa exibe exatamente o que está acontecendo em termos de caixa. A questão é que o caixa contempla inadimplência, por exemplo, e vários outros itens que – apesar de serem imprescindíveis pra gestão – atrapalham a análise de como está a empresa.

Se separarmos o financeiro da empresa (ou seja, a capacidade da empresa de receber pelos serviços prestados), conseguimos ter uma visão melhor sobre quanto a empresa vendeu, quando custou e qual o resultado real da operação. Na prática, a inadimplência atrapalha o fluxo de caixa, mas não atrapalha o resultado da empresa – afinal, assume-se que uma dívida será paga em algum momento.

A análise por competência é uma análise mais limpa do resultado real; apesar de ela não significar “dinheiro em caixa”, ela é o primeiro indicador de que a empresa é ou não rentável!

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